Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Enquanto poeta, escreveu sobre diversas personalidades – heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra.

 

O Livro do Desassossego é uma das maiores obras de Fernando Pessoa, escrito por seu heteronimo Bernado Soares. Apesar de fragmentário, o livro é considerado uma das obras fundadoras da ficção portuguesa no século XX, ao encenar na linguagem categorias várias que vão desde o pragmatismo da condição humana até o absurdo da própria literatura. Abaixo segue alguns fragmentos dos poemas de Fernando Pessoa.

Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Eu agi sempre,

eu agi sempre para dentro,

eu nunca toquei na vida.

Nunca soube como se amava,

apenas soube como se sonhava amar.

Se eu gostava de usar anéis de damas nos meus dedos, é que as vezes eu queria julgar que minhas mãoes eram de princesa.

gostava de ver minha face refletida, por que podia sonhar que era a face de outra criatura.

"Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Eu quero um colo, um braço quente entorno ao meu pescoço. Uma voz que cante baixo, e parece querer me fazer chorar. Eu quero um calor no inverno, um estravio morno da minha consciencia e depois, sem som, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas.

Todas as cartas de amor…

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Casa Fernando Pessoa

Fomos visitar a Casa Fernando Pessoa um edifício de 3 andares que guarda a memória desse poeta, um dos mais admirados da língua portuguesa. Afastado do burburinho que cerca a estátua do poeta na rua Garret, no Chiado, a Casa F. Pessoa mostra ao público intimidades, como alguns de seus escritos (inclusive o último deles - escrito em inglês).

O prédio não é grande, traz trechos conhecidos de suas poesias pelas paredes, em uma sala com efeitos de som e imagens, biblioteca, mini auditório para eventos e uma loja com souveniers e alguns exemplares de livros.

 

O melhor é o atendimento dos estudiosos de Pessoa que auxiliam na escolha do melhor exemplar para sua biblioteca particular.

 

Há um espaço dedicado a exposições temporárias de outros artistas.

 

Vale a pena para quem é fã do Fernando Pessoa, de poesias, de literatura, ou apenas admira todo esse universo.

 

abaixo foto da estátua do poeta Fernando Pessoa exposta na Rua Garret no Chiado, em frente ao Café A Brasileira.

A Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, 16Campo de Ourique  1250-088 Lisboa 

 

se você estiver no chiado e for caminhando: tempo: em torno de 30min.