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  • Foto do escritor@paespelomundo

10 curiosidades sobre Rás Gonguila, o alagoano homenageado no Carnaval da Beija Flor



Varias pessoas aglomerados em foto antiga em sépia retratando o carnaval da década de 30.
Ras Gonguila - foto reprodução

Ele dizia ser príncipe africano, descendente de Reis e Rainhas da Etiópia, e que seus antepassados tinham sido trazidos escravos para o Brasil. Gonguila morava na Ponta Grossa, dos anos 1930, líder nato, passou a ser procurado por políticos para atuar como cabo eleitoral.


Apesar de analfabeto, preto, pobre, impunha respeito por sua liderança, honestidade, e amor à cidade, era organizador de festas populares. Os nomes dos figurões daquela época estão nas placas de ruas, colégios, praças. O nome de Gonguila ficou apenas na lembrança e nos corações dos seus amigos.


  1. O nome Rás foi inspirado “pelo título nobiliárquico ou dignitário do Rei da Abissínia, na África, que na época estava em muita evidência; então, o folião tomou-o para si, para ser muito reconhecido”, diz trecho do artigo do jornalista Edberto Ticianeli, uma pesquisa do historiador José Maria Tenório Rocha

  2. A história de Ras Gonguila faz parte da cultura popular da cidade, muitas vezes esquecida pela história, agora resgatado pela Beija Flor, muitas matérias explicando para a população quem foi Benedito da Silva, seu verdadeiro nome;

  3. Morador e “líder comunitário” (mesmo antes de existir essa denominação) do na época populoso bairro de Ponta Grossa, na periferia da cidade, Gonguila atraia a atenção de políticos por ser uma voz na comunidade;

  4. Nunca foi confirmado, mas Benedito se dizia filho de rei da Etíopia, de onde teria vindo sua família escravizada, e de onde tirou a denominação RAS;

  5. Foi o primeiro carnavalesco conhecido de Maceió. Quando criou o bloco “Cavaleiro dos Montes” Na edição de 12 de novembro de 1933, o Diário de Pernambuco divulgava os atrativos para o carnaval do ano seguinte. Entre eles, menciona Gonguila e seu bloco. Em diversas notícias da época, a agremiação era chamada de “Cavaleiro dos Montes”, “Cavalheiros dos Montes” ou “Cavaleiro dos Montes”.

  6. A Rua do Livramento, onde Ras Gonguila era engraxate é ainda hoje uma das principais ruas do comercio de Maceió, ao final dela a praça dos Martírios e icônico Teatro Deodoro;

  7. O bairro da Ponta Grossa, onde Gonguila exercia toda sua influencia foi palco de muitos movimentos da época, e por muitas décadas foi um dos mais movimentados da cidade, inclusive com cinemas de rua, como o Cine Lux;

  8. A capital alagoana, pela primeira vez em sua história, será homenageada no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, como homenageada com um personagem principal;

  9. Ras Gonguila era convidado para recepcionar a sociedade da época no clube Fênix Alagoana que foi um dos principais clubes da cidade, ainda hoje em funcionamento. Fica na praia da Avenida, próximo ao centro da cidade;

  10. O nome Cavaleiro dos Montes foi inspirado nos filmes de faroeste norte-americanos e também no Alto do Farol, onde o bloco começava seus desfiles. 


Além de uma homenagem a Maceió, este é o resgate da história de personagens desconhecidos, populares, que muitas vezes foram deixados de lado por quem conta a história. Eu, como alagoano, nascido no bairro de Ponta Grossa, onde minha família viveu por décadas, frequentador do Cine Lux quando criança me sinto honrado com a homenagem e a história que será contada hoje pela Beija Flor.




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