Nadando contra a corrente

June 18, 2018

 

 

Enfim saiu do forno. Está pronto. Demorei para imaginar que pudesse estar. Depois de alguns anos de terapia, esmaguei minha síndrome do impostor. Coloquei ela num buraco, espero que tenha tampa. Fechado. Ficou pronto meu primeiro livro, e um livro cheio de recomeços. Será coincidência? não sei. Todo mundo recomeça tantas coisas todos os dias. Sou só mais um. Sim, é um livro de cheio de ficção e de provocadas realidades.

 

Na introdução, Algumas Palavras. Uma pequena abertura ao leitor com toda a ingenuidade e transparência que a leitura deve ter. Nesse texto introdutório falo de um caso real que me aconteceu quando estudante da sétima série. O bilhetinho em minha mão, o recreio e a frase que nunca me saiu da cabeça e se tornou o mote para que eu escrevesse “O Livro do Recomeço”. A frase dizia: “A vida é um eterno recomeçar”. Ela e suas nuances me fizeram estar aqui. 

 

Desde o pré-lançamento em maio 2018, quando a Câmara de Comércio Brasil Portugal – PR me convidou para apresentar o livro e fotos de Portugal de minha autoria no evento de posse da diretoria da entidade, muitos me perguntam quanto tempo demorei para escrever esse livro. A minha resposta foi a mesma: uma vida! A gente carrega certas coisas desde sempre.

 

Histórias que capturei, guardei numa caixinha de lembranças e depois foram se transformando em poesia, a minha maneira, proseada.

 

 

Como falar de Macroeconomia de forma poética? Nascia “Trade offs”. “Fazer crescer o bolo ou reparti-lo?” a dúvida lançada pela economia aos administradores públicos nos livros de N. Gregory Mankiw que trazem como exemplo o bolo grande ou repartido.

 

“Guerra Morna” é outro texto que fala um pouco desse período cheio de ameaças retrógradas. Coreanos que ameaçam americanos, que vão buscar suas ogivas cansadas, que não servem para nada, além da desgraça. Lembranças da Guerra Fria.

 

Há muito sentimento no ato de escrever. Sente quem precisa, quem não precisa passa em vão. Nada entende. E de tantos sentimentos possíveis, a saudade espelha outros textos, como “Azulejar”, sobre as despedidas, sobre o que a gente deixa para trás, e sobre o que a gente tem que enfrentar pela frente.

 

Nesse momento eu estava em Portugal, como na maioria desses textos. E a história do encontro de Portugal e Brasil me toca profundamente. Imaginar que os navegadores portugueses se despediram de suas famílias para aventurarem-se no mundo é hoje uma passagem histórica, de momento sócio político, mas que também envolveu questões pessoais, de amor, de esperança.

 

Quantas famílias o mar salgado de Fernando Pessoa deixou para trás para recomeçar por aqui, em terras desconhecidas? Fico imaginando os desbravadores de 1500 e suas histórias que não ficaram para a História.

 

De frente ao Rio Tejo, o mar salgado, os sonhos, o Brasil; nas costas o boêmio Bairro Alto,