No coração da Grande Reserva Mata Atlântica, Ekôa Park completa oito anos e consolida a biomimética como ferramenta estratégica para empresas e territórios
- @paespelomundo

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Com mais de 60 mil visitantes e 150 eventos corporativos realizados, parque em Morretes transforma a natureza em mentora de inovação, liderança e desenvolvimento humano

Ao completar oito anos de atuação, no dia 3 de março, o Ekôa Park reafirma um posicionamento que transcende o turismo de experiência. Inserido no território da Grande Reserva Mata Atlântica — o maior contínuo remanescente desse bioma no Brasil, com cerca de três milhões de hectares entre Paraná, Santa Catarina e São Paulo — em quase uma década o parque se consolidou como um espaço onde conservação, educação, bioeconomia e inovação organizacional se articulam de forma sistêmica.
Desde sua fundação, em março de 2018, o Ekôa já recebeu mais de 60 mil visitantes. Ao longo dessa trajetória, famílias, estudantes, educadores, agentes públicos, empreendedores e lideranças empresariais passaram por experiências que combinam imersão na natureza, aprendizagem prática e reflexão estratégica. O que começou como um parque de experiências ecológicas amadureceu como plataforma de desenvolvimento humano e organizacional baseada na inteligência da vida. Hoje, a biomimética ocupa o centro dessa criação.

Da ciência da vida à estratégia corporativa
A biomimética — termo que deriva do grego bios (vida) e mimesis (imitação) — propõe que os sistemas naturais, refinados ao longo de 3,8 bilhões de anos de evolução, sejam consultados como modelos para solucionar desafios humanos. Popularizada nos anos 1990 pela bióloga norte-americana Janine Benyus, a ciência vem sendo aplicada em áreas como engenharia, arquitetura e design. No campo da gestão organizacional, porém, ainda é um território emergente. Foi nesse espaço que o Ekôa passou a atuar com maior intensidade.
Desde 2019, quando as formações inspiradas na biomimética foram estruturadas de maneira sistemática no local, mais de 70 empresas participaram de jornadas no parque. Cerca de três mil profissionais vivenciaram até agora experiências desenhadas para fortalecer liderança, colaboração, visão sistêmica e capacidade de adaptação. Considerando todos os eventos corporativos realizados desde a criação do Ekôa, já são mais de 150 encontros e mais de 5.500 lideranças impactadas.
Somente em 2024, o parque promoveu mais de 60 eventos corporativos, reunindo, aproximadamente, duas mil pessoas e mais de 60 empresas, entre elas Grupo Boticário, Volvo, Renault, Electrolux, Sumitomo, EBANX, Cargill, SEBRAE, General Motors e Fundação Grupo Boticário.
Para Tatiana Perim, diretora e CEO do Ekôa, o diferencial não está apenas na imersão na Mata Atlântica, mas na metodologia aplicada.
“As organizações foram estruturadas para um mundo linear, hierárquico e previsível. A natureza opera em rede, cooperação e adaptação contínua. Quando traduzimos esses princípios para o ambiente corporativo, criamos estruturas mais resilientes e integradas”, afirma.
Formada em Comunicação e Marketing pela University of Miami, com especializações em Business pelo INSPER e em Gestão Ambiental pela UFPR, Tatiana aprofundou sua formação em biomimética por meio de cursos internacionais e mantém como meta a continuidade dos estudos acadêmicos na área. “A biomimética não é inspiração poética. É método. É estrutura. É estratégia.”
Experiências formativas que se tornam cultura
Cada formação parte de reuniões de briefing aprofundadas com as empresas participantes. A partir da compreensão da cultura organizacional, dos desafios estratégicos e da linguagem interna de cada companhia, as experiências formativas são desenhadas de forma personalizada.
Modelos naturais como as micorrizas — redes subterrâneas de cooperação entre fungos e raízes — colmeias, fluxos de rios e fragmentos de áreas naturais são utilizados como metáforas vivas para redes colaborativas, comunicação eficiente e gestão sistêmica.
Na Sumitomo, uma das maiores empresas japonesas de comércio e investimentos globais, por exemplo, uma atividade culminou na construção coletiva de um terrário na empresa que passou a simbolizar, internamente, a interdependência entre áreas. O recipiente que simula as condições ambientais necessárias para sustentar a vida tornou-se um lembrete concreto da importância de integração, diversidade e uso eficiente de recursos.
Já na Renault, a experiência foi incorporada de forma simbólica e prática: departamentos passaram a ser chamados de “ecossistemas”, e estratégias foram desenvolvidas para conectar “fragmentos”, reforçando a integração entre núcleos de trabalho em diferentes regiões.
A aplicação também alcança áreas de Desenvolvimento Humano e Organizacional. Para Halana Salvadori Chornobay, analista de Desenvolvimento Humano e Organizacional da JNS Seguradora, a experiência representou um ponto de inflexão.
“O Ekôa foi um verdadeiro reset. A forma como conectaram as dificuldades do nosso dia a dia com a maneira como a natureza lida com as adversidades foi inspiradora. Voltei com novos olhares e com a certeza de que é possível construir soluções mais humanas e inteligentes quando nos reconectamos com a natureza”.
Novo centro de eventos e consolidação da infraestrutura
Em 2025, o Ekôa inaugurou seu novo centro de eventos corporativos, ampliando a infraestrutura dedicada à formação de lideranças. O espaço ocupa uma casa construída nos anos 2000, cuidadosamente reformada para integrar tecnologia, conforto e imersão na paisagem natural.
O auditório com capacidade para cem pessoas, salas intimistas e ambientes envidraçados voltados para as áreas naturais reforçam a proposta de criar estados mentais mais criativos e colaborativos, longe da lógica acelerada dos escritórios tradicionais.
A programação inclui trilhas sensoriais, desafios colaborativos, atividades de escuta ativa, construção coletiva com técnicas sustentáveis e o voo cativo de balão — utilizado como metáfora para visão sistêmica e tomada de decisão estratégica.
Impacto territorial e reconhecimento
O papel do Ekôa ultrapassa a dimensão corporativa. Inserido na Grande Reserva Mata Atlântica, o parque é reconhecido como modelo de desenvolvimento orientado pela conservação.
Para Ricardo Borges, coordenador de comunicação e parcerias estratégicas da Grande Reserva Mata Atlântica, o Ekôa representa a materialização do conceito de produção de natureza ao conciliar conservação, responsabilidade social e viabilidade econômica.
No âmbito municipal, o reconhecimento ao papel do Ekôa é explícito. Para o prefeito de Morretes, Junior Brindarolli, o parque tornou-se parte da identidade do território.
“É motivo de orgulho ver o Ekôa completar oito anos em nosso município. O projeto soube valorizar aquilo que temos de mais precioso: nossa natureza e a identidade única de Morretes. Vai além da contemplação: provoca reflexão, consciência ambiental e posiciona o município como referência em preservação e turismo responsável”.
O secretário municipal de Turismo e Cultura, Gilton Dias Jr., destaca o impacto direto na comunidade local.
“Acompanhei o crescimento do Ekôa desde o início. Ele se integrou de forma respeitosa ao território, gerando oportunidades de trabalho, valorizando a mão de obra local e fortalecendo a comunidade ao longo da Estrada da Graciosa. É um modelo de desenvolvimento que une preservação e geração de renda.”
O turismo especializado também encontra no parque um polo estratégico. Segundo Luciano Amaral Breves, que atua há 18 anos com observação de aves na Serra do Mar e Lagamar Paranaense, o Ekôa consolidou-se como hotspot para espécies endêmicas e ameaçadas, ampliando o alcance do turismo de natureza qualificado.
Além disso, iniciativas ligadas à bioeconomia e à pesca artesanal — como a Jurema Natural e o empreendimento social “Olha o Peixe!” — encontram no Ekôa uma plataforma de fortalecimento e visibilidade.
“Ter o Ekôa Park como parceiro dá mais segurança aos clientes sobre a qualidade do nosso serviço e mostra um apoio real à pesca artesanal e à economia local. Não é apenas visibilidade para a empresa, mas para a causa. Juntos, evidenciamos o potencial ambiental e cultural do litoral do Paraná”, reforça o oceanógrafo e fundador do negócio, Bryan Renan Müller, que atua na valorização da pesca artesanal no litoral do Paraná.
A conexão entre conservação e empreendedorismo também se manifesta na trajetória da empreendedora Hannah Alzamora, fundadora da Jurema Natural, marca de biocosméticos da Mata Atlântica, que realiza formações no parque desde 2021.
“Essa parceria foi construída a partir de valores compartilhados, como a valorização da biodiversidade, dos saberes tradicionais e da educação ambiental como ferramenta de transformação. A trajetória conjunta contribuiu significativamente para o meu desenvolvimento profissional e para o fortalecimento da bioeconomia local”, diz Hannah.
Um modelo para organizações que desejam permanecer
“Em um cenário global marcado por volatilidade, complexidade e rápidas transformações tecnológicas, a capacidade de adaptação tornou-se fator crítico de sobrevivência organizacional. Estudos internacionais indicam que grande parte das empresas não resiste à incapacidade de se ajustar a ambientes exponenciais. Nesse contexto, a biomimética emerge como ferramenta estratégica. Ao observar como ecossistemas lidam com escassez, competição, cooperação e resiliência, organizações podem redesenhar seus próprios sistemas internos”, pontua Tatiana Perim.
Ao completar oito anos, o Ekôa consolida-se como um território onde natureza e estratégia se encontram. Um espaço que convida empresas, educadores e comunidades a desacelerar, observar e reaprender com a inteligência da vida.
“Mais do que celebrar uma data, o aniversário marca a maturidade de um empreendimento que demonstra, na prática, que investir na natureza é investir em futuro”, conclui a CEO.
O Ekôa em números
· Oito anos de atuação;
· 60.029 visitantes;
· 45.785 participantes no Day Use;
· 8.637 alunos em vivências escolares;
· 150+ eventos corporativos realizados;
· 70+ empresas atendidas em formações de biomimética;
· 3.000 participantes em jornadas baseadas na biomimética;
· 5.500+ lideranças impactadas.
Sobre o Ekôa Park
Localizado na maior área contínua remanescente de Mata Atlântica a Grande Reserva Mata Atlântica, o Ekôa Park oferece experiências imersivas em meio à floresta, com atividades como trilhas interpretativas, arvorismo, tirolesa, voo cativo de balão e instalações artísticas. O espaço tem como missão provocar a reconexão entre o ser humano e a natureza, promovendo o encantamento com a biodiversidade por meio da arte, educação ambiental e aventura. Ao integrar música, arte e gastronomia sustentável, o Ekôa reafirma seu papel como agente de transformação ecológica e cultural, reforçando a importância da conservação ambiental com foco na saúde do planeta e de seus habitantes.
Sobre a Grande Reserva Mata Atlântica
A Grande Reserva Mata Atlântica é uma iniciativa que une diversos atores para desenvolver ações de turismo sustentável na maior área contínua de Mata Atlântica do mundo, com quase 3 milhões de hectares conservados entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Reconhecida nacional e internacionalmente, a iniciativa promove o ecoturismo responsável, integrando o patrimônio natural, cultural e histórico desse território único.
SERVIÇO
Ekôa ParkEndereço: Estrada da Graciosa, Km 18,5 – São João da Graciosa, Morretes (PR)Horário de funcionamento: de sexta a domingo e feriados, das 9h às 17hIngressos: R$ 100,00 (inteira) | R$ 50,00 (meia). Crianças até 3 anos não pagamInformações: www.ekoapark.com.brE-mail: contato@ekoapark.com.br



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