top of page

Visit Park City prepara um inverno maior — dentro e fora das pistas

Foto do escritor: @paespelomundo
@paespelomundo
há 1 dia
4 min de leitura





Por Mary de Aquino

Com resorts em expansão, uma nova agenda de eventos e três restaurantes recomendados pelo Michelin, o destino de Utah aposta na gastronomia, na cultura e em experiências além da neve para conquistar o viajante brasileiro



Falar de neve em uma manhã ensolarada de setembro, na Vila Olímpia, parece, à primeira vista, um exercício de imaginação. Mas o cenário escolhido por Visit Park City encurtava a distância entre São Paulo e as montanhas de Utah. Foi ali, em um encontro realizado na Born to Ski, que jornalistas se reuniram nesta quinta-feira, 3 de setembro, para conhecer as novidades do destino americano para o inverno 2026/2027. Ao fim da apresentação, a conversa sobre pistas, gôndolas e esportes de inverno ganharia uma dimensão prática: os convidados poderiam calçar as botas e experimentar a pista de esqui indoor.


À frente do encontro, Megan Underwood, gerente de Vendas e Marketing do Visit Park City, apresentou um destino em expansão, mas começou por algo particularmente relevante para quem parte do Brasil: Park City fica a cerca de 35 minutos do Aeroporto Internacional de Salt Lake City. Underwood destacou ainda a conexão sazonal via Lima, prevista para dezembro e janeiro. Uma vez na cidade, o visitante encontra transporte público gratuito ligando diferentes regiões, o que facilita circular entre hotéis, montanhas, restaurantes, lojas e a histórica Main Street sem depender do carro.



Mais montanha, inclusive para quem não esquia



Os dois grandes resorts seguem como protagonistas do inverno. Park City Mountain recebe esquiadores e snowboarders e investe nos acessos em Canyons Village, onde as gôndolas também ajudam a incluir quem não pretende passar o dia sobre os esquis. É possível subir a montanha para encontrar amigos, almoçar ou simplesmente participar da experiência. Deer Valley Resort, por sua vez, permanece exclusivo para esquiadores e atravessa uma expansão de grandes proporções. Segundo Underwood, em dois anos serão 11 novos meios de elevação e 107 novas pistas; nesta temporada, sete pistas e um novo lift se juntam à estrutura.



Janeiro também começa a ganhar outra identidade. Durante décadas, o Sundance Film Festival transformou Park City em um dos centros internacionais do cinema independente. Com a mudança do festival para Boulder, no Colorado, a partir de 2027, o destino está reorganizando parte desse período em torno de sua própria vocação esportiva. Entre as novidades apresentadas está uma competição criada pelo snowboarder Shaun White, em Park City Mountain, seguida por outra disputa internacional em Deer Valley. Underwood afirmou que os eventos serão gratuitos e abertos ao público e mencionou a possibilidade de concertos e outras atividades na Main Street. É uma mudança de calendário que devolve os holofotes àquilo que moldou boa parte da identidade local: a montanha.



Quando o jantar vira motivo para viajar



Mas uma das histórias mais interessantes do novo inverno de Park City começa justamente quando termina o dia de esqui. O destino, que reúne cerca de 150 restaurantes e bares, agora tem três endereços recomendados pelo Michelin: The Nelson Cottage by High West, Matilda e Handle. O reconhecimento amplia a narrativa de uma cidade que já não quer que a escolha de onde jantar seja apenas uma decisão tomada depois das pistas, mas parte do planejamento da viagem.



O The Nelson Cottage, ligado à High West Distillery, talvez seja o exemplo mais evidente dessa combinação entre lugar e mesa. Underwood descreveu uma experiência de jantar em vários tempos construída de acordo com a disponibilidade de ingredientes locais e acompanhada por uma degustação guiada de whiskey. A proximidade com a High West acrescenta outro elemento incomum: segundo a executiva, trata-se da única destilaria de whiskey ski-in/ski-out do mundo. Já o Matilda, na região de Prospector, aparece com pizzas e influências australianas, enquanto o Handle trabalha com fornecedores da região, incluindo produtores de carnes e frutas e uma loja local de azeites.



A atenção aos ingredientes e produtores aproxima a gastronomia de outra mensagem repetida durante a apresentação: consumir Park City significa também apoiar a comunidade que vive ali. Isso aparece nos restaurantes, nas boutiques de Main Street e na preocupação em manter negócios locais dentro de uma economia fortemente marcada pelo turismo. Para o viajante interessado em comida, a recompensa é encontrar uma cidade de montanha em que o après-ski pode evoluir para uma experiência gastronômica própria, em vez de funcionar apenas como intervalo entre dois dias de esqui.



Da mineração às Olimpíadas



Fora das pistas e dos restaurantes, Park City conserva sinais de sua origem mineradora na arquitetura e na histórica Main Street. O museu local, apresentado por Underwood como afiliado ao Smithsonian, ajuda a contar essa história. Outra camada da identidade vem dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. No Utah Olympic Park, museus e experiências esportivas preservam esse legado, inclusive com a possibilidade de experimentar o bobsled. E a história ainda não terminou: Utah receberá novamente os Jogos de Inverno em 2034.



Park City também procura tornar essa experiência disponível para mais pessoas. Uma parceria com a Wheel the World levou equipes a medir e verificar aspectos concretos de acessibilidade em hotéis, restaurantes e atrações; segundo Underwood, 30 empresas já passaram pelo processo. O National Ability Center oferece ainda atividades adaptadas, inclusive na neve. Na frente ambiental, o destino apresentou metas para 2030 que incluem emissões líquidas zero de carbono, eletricidade 100% renovável e desperdício zero de alimentos.



No fim daquela manhã paulistana, a apresentação deixou de ser apenas uma sucessão de imagens de Utah. Os jornalistas calçaram as botas e seguiram para a pista indoor da Born to Ski. Do lado de fora, o céu continuava ensolarado sobre a Vila Olímpia; dentro, começavam as primeiras tentativas sobre os esquis. Park City veio a São Paulo falar de uma viagem que começa na neve, mas sua mensagem mais interessante talvez seja justamente outra: há cada vez mais razões para continuar descobrindo o destino depois que os esquis são guardados.

Comentários


bottom of page